OS ESCRITOS DO BOMFIM
OBSESSÃO
(Rodrigues Bomfim)
Então te enxergo mais do que bela e meu coração dispara apaixonado
E como uma ogiva nuclear disparo que nem um torpedo atrás de você
Pisando forte sentindo o chão trepidar por causa do bombardeio
Ensurdecedor das roucas trovoadas e relâmpagos que explodem
Latejando absurdamente dentro da minha cabeça louca.
É uma idéia fixa que conforme o planejado dou o bote certeiro.
Rastejando no meio da lama pra cima de você arrepiada e furiosa
Insisto fustigado pelo castanho dos teus olhos esbugalhados que me reconheces enfim...
Estapeio-te que é só pra minar a tua moral irada
Provando do frescor da tua viçosa beleza que atiça todos os meus sentidos.
Tomado de puro êxtase arrasto-te no denso mingau de lama,
Rindo alto provocando a natureza se transformando num dilúvio sem fim
Sumindo afobado do lugar alagado e cinzento sem olhar para trás
Com os olhos e a boca arreganhados bestialmente pro céu
Explodindo intensamente de raiva aqui e ali
Como se esconjurasse os meus satânicos pecados
Ajeita-se da melhor forma possível na minha secreta alcova
Agora que és só minha por inteira para o meu próprio gosto íntimo
Até você se convencer de que preciso ardentemente do seu carinho
Pra preencher a minha irresistível obsessão por você
Eu um angustiado apaixonado que só quer viver a tua emoção
E para te deixar mais à vontade lhe dou um diário pra confortar o teu espírito arredio.
Subitamente você tenta desvendar meus sentimentos
Contudo melancólica desiste sem nenhum sinal de apreço pelos meus ideais
Encolhida fungando com pneumonia num canto desse quarto lavado e
Limpo como novo, espera uma oportunidade pra escapar do esconderijo.
Então vem uma coisa ruim que toma conta da minha alma quando leio
O diário que lhe dei e vejo o quanto o seu desprezo por mim te devorou
Muitas coisas mudaram desde então, mas nada da minha alma se acalmar...
Ela está fria num caixão, que eu próprio fiz.
Enterrada debaixo das macieiras... Levei três dias pra fazer a cova...
Pensei que enlouquecia no dia em que a meti no caixão.
Não creio que haja muita gente que tivesse coragem para tanto
Planejei tudo cientificamente. Ignorando os meus sentimentos naturais.
Então o amor que eu sentia estranhamente se dissipou da minha alma...
Circulo tontamente com o diário dela que deixarei
Com a madeixa de cabelo que lhe cortei
Dentro de uma caixa, com o meu testamento,
Que não será aberto senão depois da minha morte
O que não acontecera antes de uns quarenta ou cinqüenta anos
Quem sabe, sob o véu de uma estrondeante tempestade!
Escrito por Rodrigues Bomfim às 12h33 PM
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|